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Fastelavn

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Hoje comemora-se o Fastelavn na Dinamarca, festa que partilha das mesmas raízes do nosso carnaval, vem do catolicismo romano.  A palavra Fastelavn significa “a noite que antecede a Quaresma”, porque acontecia 49 dias antes do domingo de Páscoa e era uma data para se reunir com a família e comer o quanto podiam, especialmente muita carne e gordura, antes de enfrentarem os 40 dias dias de jejum durante Quaresma e a Semana Santa.  Depois que a Dinamarca passou a ser um país protestante, essa festa deixou de ter cunho religioso e passou a ser celebrada para festejar a chegada da primavera.

Hoje em dia o Fastelavn é voltado para as crianças. Nas creches, escolas e comunidades, elas se fantasiam e brincam de “slå katten af tønden”, jogo que segue o mesmo princípio do quebra-panela do Brasil, sendo que eles usam um barril de madeira ou papelão cheio de doces e frutas, decorado com a figura de um gato preto. As crianças são dispostas numa fila e com um taco de madeira tem que bater no barril até os doces caírem no chão. A brincadeira continua até o barril ser completamente quebrado. Aquele que quebra o barril fazendo cair os doces é chamado de kattedronning (rainha dos gatos) e o que quebra a último pedaço é chamado de kattekonge (o rei dos gatos) e recebe uma coroa. No passada um gato de verdade era colocado dentro do barril e recebia pauladas até a morte, assim acreditava-se livrar as cidades da peste. O pior é que os coitados dos gatos não sofriam só aqui na Dinamarca, na França eles eram jogados vivos na fogueira de São João e na da Páscoa na Alemanha, ou eram atirados da torre de uma igreja.  Diz-se que um pastor dinamarquês, por volta de 1830,  pôs fim a matança de gatos colocando um porco no barril. Argh!

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Também fazem parte da tradição os fastelavnsvoller – bolinhos recheados com creme e geléia, preparados com a ajuda das crianças. Eles representam a comida gordurosa que era servida antes do grande jejum.

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As crianças também costumam sair cantando pela vizinhança a música fastelavn er mit navn, para ganharem dinheiro ou bombons. Alguém se lembrou do  Halloween?

Enquanto isso, no Brasil ainda restam quase 3 dias de carnaval. Espero que cada um aproveite este longo feriado da forma que mais gosta, descansando ou caindo na folia. Nessa época eu tenho muitas saudades de Olinda, fico com esta música na cabeça:

“Olinda! Quero cantar a ti esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração, de amor a sonhar
Em Olinda sem igual
Salve o teu Carnaval!” (Elefante – Clídio Nigro / Clóvis Vieira)

Fonte: Wikipédia

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O ABC da mulher

Kvindens ABC (O ABC da mulher) – Ursula Reuter Christiansen – 1871

Museu Nacional de Arte – Copenhage/Dk

Clique na foto para aumentá-la.

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Neve

Por aqui tem tido muita nevasca nos últimos dias, as ruas estão cobertas por mais de 30 centímetros de neve. Os jornais locais dizem que a última vez que fez tanto frio no mês de janeiro foi há 23 anos. Eu adoro a neve, acho linda, mas ela não é nada prática. Sempre traz problemas no trânsito, bagunça generalizada. Acho engraçado que aqui existe uma lei para tudo. Nesse caso, as pessoas são responsáveis pela limpeza e adiçao de sal a suas calçadas para não serem responsabilizadas caso alguém se machuque. Sinceramente não sei o que é pior, se o calor que estava fazendo no Brasil ou o frio daqui. E vocês, preferem o frio ou o calor?

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Cerveja natalina


Hoje é o J-dag, um dia todo especial para os dinamarqueses porque é o lançamento da juleøl – a cerveja de Natal da Tuborg. Fabricada há 27 anos, ela também é chamada de snestorm (tempestade de neve) ou snefald (queda da neve). Eu adoro esta cerveja! Ela é ligeiramente adocicada, mais maltada que as tradicionais e tem um percentual alcoólico de 6%. Existem outras, produzidas por diferentes marcas, que apresentam um percentual alcoólico que vai até 8.5%.

Inicialmente o J-dag era na 2ª quarta de novembro às 23:59, mas, como as salas de aula ficavam literalmente vazias no dia seguinte, a data foi mudada para a 2ª sexta de novembro às 20:59 e este ano passou a ser na última sexta de outubro. Vejam que a data e hora de lançamento vêm diminuindo a cada ano. É preciso dizer o motivo? As ruas e a tv se enchem de comerciais com a contagem regressiva do evento. A bebedeira é tão grande que os trens de Copenhage funcionam de graça na noite de hoje.

Existe também o P-dag, dia em que é lançada a påskeøl – a cerveja de páscoa. Já deu pra perceber que por aqui desculpas para beber é o que não falta e que definitivamente cervejas são uma paixão nacional. O povo inventa até musiquinhas que fazem alusão à bebida em si ou a sua prática.

Este é comercial tradicional apresentado ao longo dos anos:

Tradução: Feliz Natal e bom Tub’ano.

FONTE: Wikipedia.dk

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Comidas típicas da Dinamarca

O feijão-com-arroz dos dinamarqueses é o smørrebrød – um prato frio que consiste basicamente em sanduíches abertos cobertos com peixe, carnes frias, queijos, ovos, salmão defumado, camarão, peixe, hortaliças, ovos, patês (especialmente de fígado) ou diversos tipos de saladas sobre um pão escuro denominado rugbrød. Acompanhados de cerveja eles estão no menu de almoço da maioria dos dinamarqueses.

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Sua origem vem da classe trabalhadora que costumava levar o rugbrød com queijo ou salsicha para o trabalho. A popularização se deu por volta do século XIX, quando começaram a surgir restaurantes especializados. Quando visitei a casa dos meus sogros pela primeira vez e me deparei com esse tipo de comida achei que era um café da manhã servido às 11. Felizmente não comentei nada, já pensaram que mico seria falar que o café da manhã estava uma delícia :-)!

Um dos peixes mais apreciados por aqui, especialmente sobre o smørrebrød, é o arenque (sild), encontrado na variante defumada ou temperada. Gosto muito da versão ao molho curry, é o que como quando estou sozinha em casa e indisposta para cozinhar. Além de muito gostoso, ele é fonte de vitamina D e combinado o rugbrød dá uma sensação de saciedade que se prolonga pela tarde toda.

Outro prato típico é o frikadeller, que nada mais é do que bolinhas feitas de carne ou de peixe temperados com ervas. Elas são servidas no jantar com batatas, salada, molho, pão e vinho para acompanhar.

Para um lanche rápido vai en pølse (uma salsicha), o cachorro quente à la dinamarquesa. Pode ser servido em dois tipos de pão e uma salsicha enorme, com ou sem bacon ao seu redor. A cobertura pode ser de maionese, catchup, molho de alho ou picante. Eles são vendidos em trailers chamados de pølsevogn (vagão da salsicha). Existem inúmeros deles espalhados por aqui.

Uma outra coisa que é bem apreciada pelos nativos é um tipo de balinha chamada lakrids (alcaçuz), feito com a raiz da planta de mesmo nome. Dei uma pesquisa e vi que ela é comercializada no Brasil como Liquorice, denominação em inglês, pela marca suíça Halter. Eu detesto essa bala, a mais tradicional é de um amargo meio adocicado de gosto estranho, difícil de classificar.

No mais, os dinamarqueses também costumam comer muito salmão, carnes (especialmente de porco), usam pouco sal e açúcar em tudo e são abertos para pratos da gastronomia italiana, mexicana, tailandesa, chinesa, indiana, francesa, turca… sendo muito fácil encontrar uma diversidade de frutas e ingredientes característicos de diferentes culturas.

Para ler sobre as comidas típicas natalinas aqui.

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Visita ao Louisiana Museu

Em meados deste mês meu marido, meus sogros e eu fomos visitar o Museu Louisiana de Arte Moderna situado em Humlebæk, grande Copenhage. Fundado em 1958, ele conta com uma coleção permanente de mais de 3000 trabalhos e recebe exposições temporárias de 4 a 6 vezes por ano. Seu idealizador, patrono e orientador full time foi o empresário queijeiro Knud W. Jensen, cujo desejo era aproximar a arte do público em geral com a exposição de obras modernistas dinamarquesas, que aos poucos foram abrindo espaço para trabalhos internacionais.

A história por trás do nome do museu é bem pitoresca. Chamava-se Louisiana a vila do século XIX onde ele foi instalado. Assim nomeada porque seu primeiro proprietário, Alexander Brun, foi casado 3 vezes e todas as suas esposas atendiam pelo nome de Louise.

UM POUCO DO QUE VIMOS:

Na horizontal: Jeune fille vénétienne MARTIAL RAYSSE; Figures in landscape ROY LICHTENSTEIN; A closer Grand Canyon DAVID ROCKNEY; ?:

Swimmer-reflection NEIL JENNEY; Marilyn Monroe ANDY WARHOL; Déjeuner sur l’herbe & Le joueur de cartes II Pablo PICASSO; Dobbeltansigtet & Titania II ASGER JORN:

Pres foelger pres PER INGE BJOERLO; Sem titulo HEIN HEINSEN Reclining figure HENRY MOORE; Spider couple LOUISE BOUGEOIS; Le grand pouce CESAR:

Também tivemos a oportunidade de conferir a exposição Green Architecture for the futere, que apresenta novas invenções, materiais e métodos elaborados para uma arquitetura sustentável. Nela o Brasil foi representado pela cidade de Curitiba e pela Favela da Rocinha. A primeira citada como um exemplo a ser seguido e a segunda como objeto de estudo do arquiteto Frederic Druot.

Nossa tarde no Louisiana foi muito agradável. Além de ter tirado umas beliscadas da arte moderna, apreciamos a bela vista do museu para o estreito de Øresund. Aliás, a arquitetura do local foi tão bem elaborada que adiciona a natureza adjacente a seu acervo, horas emoldurada por enormes paredes e corredores de vidro.

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Visto dinamarquês

Esses dias li em um jornal local que a Dinamarca está na lista dos países que mais exigem documentos e tempo para a liberação do visto de turista. Se essa afirmação é verdadeira eu não sei. Como o Brasil mantém um acordo com os países que fazem parte do grupo Schengen, do qual a Dinamarca faz parte, nao é necessária a apresentacao de um visto para entrar entrar aqui. Como o Brasil faz parte do tratado de Schengen não precisamos dele para entrar em vários países europeus, incluindo a Dinamarca. O que posso afirmar é que conseguir visto para residência mediante casamento é uma tarefa árdua e cheia de burocracia.

Minha odisséia começou com a arrumação dos papéis para o casamento. Antes de me mudar escrevi para o consulado dinamarquês, que me afirmou ser preciso ter cópia do registro de nascimento, do passaporte e atestado de solteira traduzidos para dinamarquês, legalizados pelo Ministério das Relações Exteriores e pela Embaixada da Dinamarca. Fiz tudo como indicado. Por meses meus documentos rodaram o Brasil. Ao chegar aqui descobri que tinha gastado tempo e o resto dos meus trocados. Com exceção da tradução das primeiras páginas do passaporte (que absurdo!), algumas comunas exigem sim essa documentação, na minha – a do centro de Copenhage – só foi preciso apresentar o passaporte.

Me casei no dia 15 de fevereiro. No começo de março demos entrada nos meu visto de permanência. As regras para aquisição desse documento por não-residentes da UE são muitas e um tanto absurdas. É preciso atender a todas estas exigências:

PARA AMBOS OS CÔNJUGES

– ter mais de 24 anos;

– não ter nenhum grau de parentesco;

– morar no mesmo endereço na Dinamarca.

PARA O CÔNJUGE ESTRANGEIRO

– preencher o formulário de imigração para reunificação familiar de casais (28 páginas);

– 3 fotos tamanho passaporte;

– xérox do passaporte.

PARA O CÔNJUGE DINAMARQUÊS

– ser cidadão dinamarquês, de outro país nórdico (Noruega, Suécia, Finlândia ou Islândia), ter visto de exilado ou de permanente pelos últimos 3 anos ou mais;

– morar permanentemente na Dinamarca;

– apresentar uma declaração de que não recebeu assistência financeira do governo nos últimos 12 meses;

– ter trabalho fixo e condição de sustentar a si e ao cônjuge;

– ter acomodação de tamanho adequado (ao menos 20 m² por pessoa) e apresentar uma cópia do contrato ou posse do imóvel em seu nome;

– assumir responsabilidade total pela esposa/marido estrangeiro(a);

– não ter sido condenado(a) por prática de atos violentos contra um antigo
cônjuge/parceiro(a) no período de 10 anos até a data da aplicação;

– abrir uma conta, bloqueada para movimentação, no valor de 60.011* coroas (cerca de 22 mil reais) ou pedir garantia a um banco. **

Depois de quase 4 meses recheados de informações desencontradas e férias da responsável no caso, recebi meu visto. Ele também dá direito a trabalhar e tem validade de 2 anos.

Na segunda metade de 2008 houve certo barulho por causa dessas exigências. Os contestadores alegavam desrespeito às regras gerais da UE. Por enquanto nada mudou. Até lá, desejo paciência àqueles que vão precisar dessa autorização.

Para mais informação clique aqui.

* Valor de 2009. Em 2008 era 58.000 coroas.

** Esse valor deve permanecer intocável por 7 anos. Metade dele pode ser resgatado depois que o estrangeiro passar na prova final do curso de dinamarquês. Os outros 50% só serão devolvidos quando da retirada do visto de residência permanente, ou seja, no mínimo em 5 anos para quem nunca residiu em outro país da UE. Esta etapa só é exigida depois de pré-aprovação do processo.

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