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Sou você – Caetano Veloso

 

Mar sob o céu, cidade na luz
Mundo meu, canção que eu compus
Mudou tudo, agora é você

A minha voz que era
da amplidão, do universo, da multidão
Hoje canta só por você

Minha mulher, meu amor, meu lugar
Antes de você chegar
era tudo saudade
Meu canto mudo no ar
faz do seu nome hoje o céu da cidade

Lua no mar, estrelas no chão
a seus pés, entre as suas mãos
Tudo quer alcançar você

Levanta o sol do meu coração
Já não vivo nem morro em vão
Sou mais eu porque sou você.

Autor: Caetano Veloso

Voz: Toni Garrido para o filme Orfeu

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Miedo /Lenine/

Esticando um dos temas do post anterior aqui vão algumas reflexões sobre o medo, na voz da mexicana Julieta Venegas e de Lenine – cantor e compositor pernambucano que dispensa comentários.  

Miedo

Composição: Pedro Guerra/Lenine/Robney Assis

Tienen miedo del amor y no saber amar
Tienen miedo de la sombra y miedo de la luz
Tienen miedo de pedir y miedo de callar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tienen miedo de subir y miedo de bajar
Tienen miedo de la noche y miedo del azul
Tienen miedo de escupir y miedo de aguantar
Miedo que da miedo del miedo que da

El miedo es una sombra que el temor no esquiva
El miedo es una trampa que atrapó al amor
El miedo es la palanca que apagó la vida
El miedo es una grieta que agrandó el dolor

Tenho medo de gente e de solidão
Tenho medo da vida e medo de morrer
Tenho medo de ficar e medo de escapulir
Medo que dá medo do medo que dá

Tenho medo de acender e medo de apagar
Tenho medo de esperar e medo de partir
Tenho medo de correr e medo de cair
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma linha que separa o mundo
O medo é uma casa aonde ninguém vai
O medo é como um laço que se aperta em nós
O medo é uma força que não me deixa andar

Tienen miedo de reir y miedo de llorar
Tienen miedo de encontrarse y miedo de no ser
Tienen miedo de decir y miedo de escuchar
Miedo que da miedo del miedo que da

Tenho medo de parar e medo de avançar
Tenho medo de amarrar e medo de quebrar
Tenho medo de exigir e medo de deixar
Medo que dá medo do medo que dá

O medo é uma sombra que o temor não desvia
O medo é uma armadilha que pegou o amor
O medo é uma chave, que apagou a vida
O medo é uma brecha que fez crescer a dor

El miedo es una raya que separa el mundo
El miedo es una casa donde nadie va
El miedo es como un lazo que se apierta en nudo
El miedo es una fuerza que me impide andar

Medo de olhar no fundo
Medo de dobrar a esquina
Medo de ficar no escuro
De passar em branco, de cruzar a linha
Medo de se achar sozinho
De perder a rédea, a pose e o prumo
Medo de pedir arrego, medo de vagar sem rumo

Medo estampado na cara ou escondido no porão
O medo circulando nas veias
Ou em rota de colisão
O medo é do Deus ou do demo
É ordem ou é confusão
O medo é medonho, o medo domina
O medo é a medida da indecisão

Medo de fechar a cara
Medo de encarar
Medo de calar a boca
Medo de escutar
Medo de passar a perna
Medo de cair
Medo de fazer de conta
Medo de dormir
Medo de se arrepender
Medo de deixar por fazer
Medo de se amargurar pelo que não se fez
Medo de perder a vez

Medo de fugir da raia na hora H
Medo de morrer na praia depois de beber o mar
Medo… que dá medo do medo que dá
Medo… que dá medo do medo que dá

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O Verme e a Estrela /Adriana Calcanhoto/

O verme e a estrela é um lindo poema do simbolista Pedro Kilkerry musicado por Adriana Calcanhoto para o album A fábrica do poema e conta com a especialíssima participação de Cid Campos. É um dos poucos poemas musicados cujo resultado ficou tão bom. Na realidade, todas as faixas desse cd são de altíssima qualidade, a exemplo de Inverno, Sudoeste, Metade, A minha música, Portrait of Gertrude…  Sem dúvida é um dos melhores trabalhos da Adriana!

Agora sabes que sou verme.
Agora, sei da tua luz.
Se não notei minha epiderme…
É, nunca estrela eu te supus
Mas, se cantar pudesse um verme,
Eu cantaria a tua luz!

E eras assim… Por que não deste
Um raio, brando, ao teu viver?
Não te lembrava. Azul-celeste
O céu, talvez, não pôde ser…
Mas, ora! enfim, por que não deste
Somente um raio ao teu viver?

Olho, examino-me a epiderme,
Olho e não vejo a tua luz!
Vamos que sou, talvez, um verme…
Estrela nunca eu te supus!
Olho, examino-me a epiderme…
Ceguei! ceguei da tua luz?

Escute a música aqui!

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Sache que je /Jean-Jacques Goldman/

Jean-Jacques Goldman é um grande cantor e compositor do universo musical francófono. Muitos cantores consagrados, a exemplo de Céline Dion, interpretam suas canções.

A música abaixo é uma das minhas favoritas. Ela questiona o peso semântico e a banalização da expressão “eu te amo”, usada como verbalização do amor Eros e/ou psiquê.  Segundo declarado em entrevista, para Goldman essa frase traz uma conotação de tempo, porque ao proferi-la estamos implicitamente afirmando “eu te amarei pra sempre”, já que o amor não é algo transitório. Mas como afirmar isso sem saber se o que sentimos será eterno? Concordo com ele quando fala que essa oração nem sempre é usada na afirmativa. Afinal quem nunca ficou desapontado, nem que fosse de leve, em fazer tal declaração e receber silêncio em troca?

SACHE QUE JE

Jean-Jacques Goldman

Il y a des ombres dans ” je t’aime ”
Pas que de l’amour, pas que ça
Des traces de temps qui traînent
Y’a du contrat dans ces mots là
Tu dis l’amour a son langage
Et moi les mots ne servent à rien
S’il te faut des phrases en otage
Comme un sceau sur un parchemin
Alors sache que je
Sache le
Sache que je
Il y a mourir dans ” je t’aime ”
Il y a je ne vois plus que toi
Mourir au monde, à ses poèmes
Ne plus lire que ses rimes à soi
Un malhonnête stratagème
Ces trois mots là n’affirment pas
Il y a une question dans ” je t’aime ”
Qui demande ” et m’aimes-tu, toi ? ”
Alors sache que je
Sache le
Sache que je

SAIBA QUE EU

Há sombras no “eu te amo”

Não apenas amor, não apenas isso

Vestígios de tempo que se arrasta

Há um contrato nessas palavras

Você expressa o amor na sua linguagem

E pra mim as palavras não servem para nada

Se for preciso usar frases-reféns

Como um selo sobre um pergaminho

Então saiba que eu

Saiba…

Saiba que eu

Há morrer no “eu te amo”

Há eu  enxergo apenas você

Morrer para o mundo, para seus poemas

Apenas ler essas rimas para si

Um desonesto estratagema

Essas três palavras não afirmam

Há uma questão no “eu te amo”

Que pergunta “e você, me ama?”

Então saiba que

Saiba …

Saiba que eu

ESCUTE A MÚSICA AQUI

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