Diário de uma esquiadora de primeira viagem

Há duas semanas fui esquiar com o meu marido no Mullsjö Alpin na Suécia. Foram com a gente a irmã dele, os sobrinhos e alguns amigos. A viagem durou cerca de 3 horas e meia de carro. Chegamos lá na sexta e voltamos no domingo à noite.

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Vista das pistas azuis.

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Primeira tentativa.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No primeiro dia a diversão já começou na hora de colocar as botas, elas são grandes, justas e provocam uma certa estranheza no andar. Me senti uma astronauta pisando pela primeira vez no solo lunar. Minha cunhada e os filhos, como eu, nunca tinham esquiado antes. Meu marido pratica snowboard e, mesmo assim, na posição de veterano de férias de inverno, foi ele quem nos deu as primeiras dicas.  No iniciozinho, o lema era tentar, cair e levantar. O bom é que não senti nenhuma dor física, o único desconforto que experienciei foi um ligeiro embaraço. É difícil para um adulto cair repetidas vezes sem se sentir bobo. Sim, sim! Eu sei que nunca tinha feito isso antes, portanto não podia me autoexigir perfeição. De qualquer forma, me senti vulnerável.  Na metade do dia tive algumas aulas com uma instrutora local. Depois disso e no dia seguinte continuei tentando, hora sozinha hora com a ajuda do meu marido.  

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Parece errado, mas é colocando os esquis nessa posição que se consegue frear.

No final das contas não sei se posso dizer que realmente aprendi a esquiar, já que não saí da área infantil. Ao menos essa experiência me trouxe pequenas doses de autoconhecimento. Descobri que não sou tão corajosa quanto eu me supunha e que o medo desempenha um papel significativo em minha vida, porque naquele momento funcionou como elemento castrador no meu aprendizado, a ponto de ser maior do que a minha vontade. Uma vez meu pai me disse algo que me fez rir, mas que hoje eu concordo totalmente. Em suas palavras ele me falou que com o passar do tempo nossos medos vão se acurando e nós, como meros fantoches, vamos ficando mais e mais suscetíveis a eles.  

 

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Camilla tentando aprender com Ruben

Vi crianças de 3 e 5 anos manejando os esquis com a maior intimidade nas aréas vermelha e preta, que são as de maior grau de dificuldade. Se eu fosse mãe, não sei se permitiria. Acho que muitos de nós brasileiros tendem a superproteger os filhos. Pode ser que essa atitude seja própria da índole parental, ou talvez eu tenha essa impressão porque as pessoas da minha família ajam como tal. Não sei! Mas tenho consciência de que o excesso de zelo torna os indivíduos mais dependentes e, conseqüentemente, mais medrosos. 

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Por fim, para quem pretende esquiar um dia aqui vão algumas dicas:

  • é preciso ter bastante equilíbrio e resistência para aguentar o pique. Se você não tem um dos dois comece a treinar desde já;
  •  assista a vídeos sobre o assunto no youtube, assim você já chega nos alpes com uma idéia dos princípios básicos do esqui;
  •  inscreva-se em aulas, de preferência particulares, mas antes disso treine um pouco sozinho. No começo o simples encaixar das botas nos esquis parece complicado;
  • os medrosos têm de aprender a lidar e a driblar o medo;
  • passe bastante protetor solar antes de ir pras montanhas, se não quiser voltar pra casa com a marca branca dos óculos;
  • viaje em grupo. É muito mais interessante do que sozinho ou a dois.  
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2 Comentários

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2 Respostas para “Diário de uma esquiadora de primeira viagem

  1. Uma vez fui patinar no gelo e… as quedas fizeram excessiva parte do passeio. O que mais me irritou, foram as crianças, que no começo caiam como laranjas podres, mas minutos depois, apresentavam-se como verdadeiros ases no assunto. Como é que pode? Assim também aprendi a nadar e a andar de bicicleta: não sabia, derrepente, aquilo era uma brincadeira de criança. Facinho, facinho…
    Tenha paciência. Esses passeios vão ser tão comuns agora… tem tempo de sobra para aprender. Mais oportunidades virão. Bjs.

  2. Rosangela

    Muito chique! Nossa, deve ter sido uma experiência bárbara. Na próxima, você tira de letra 🙂

    Adorei as fotos!

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